O artigo dessa semana será publicado em formato PDF, pois ficou um texto bastante grande e a leitura dele no corpo do blog pode se tornar consativa.
Clicando abaixo há o link para download do material. Peço que leiam, divulguem, questionem, sugiram e etc..



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Propostas para Competições no Futsal de Base I
Princípios Básicos para Competições de Base no Futsal

Gostaria de discutir inicialmente algo que penso ter tudo a ver com esse começo de ano.

Muitos de nós participaremos, nesses primeiros meses do ano, de reuniões de ligas e federações, com a finalidade de discutir o cronograma competitivo, regulamentos e modelos de disputa dos respectivos campeonatos.
E, no mesmo ambiente em que se discutem as propostas cronológicas para categorias adultas, juniores e juvenis, estão inclusas as discussões sobre as categorias mamadeira, infantil, mirim e pré-mirim.
Mas o qual é o problema? Você deve pensar. Não seria este um momento oportuno para discutir o calendário competitivo de todas as categorias num mesmo momento?

Claro! Oportuno é. Mas essa oportunidade, muitas vezes, deixam despercebidos grandes problemas relativos ao processo de formação pedagógico-competitiva de jovens e crianças que compõe as categorias de base.
Muitas vezes, tudo o que se decide é igual para todas as categorias. O formato de disputa, as regras, a postura da arbitragem, tudinho é discutido como se todas as categorias fizessem parte de um mesmo contexto, como se em todas as categorias o objetivo competitivo fosse exclusivamente o mesmo, envoltos na clássica visão de que crianças são adultos em miniatura.
Logo, as mesmas regras, o mesmo regulamento, a mesma postura de árbitros e treinadores são reproduzidas para crianças de menos de 10 anos de idade em ambientes competitivos se comparadas aos adultos.
Mas qual é o problema nisso?
Essa pergunta é normal quando a visão de mundo do processo de formação do atleta de Futsal se baseia na mera reprodução do perfil competitivo adulto para crianças, como se essa fosse a melhor forma de possibilitar às crianças o crescimento esportivo, pessoal e social esperado.
Para melhor compreendermos onde quero chegar, pensemos o processo de formação mais comum que existe na sociedade moderna: a formação educacional (em escolas, locais de educação formal).
Sem levar em consideração se o atual currículo de formação está adequado às reais necessidades formativas do cidadão, se os processos avaliativos são verdadeiramente capazes de “avaliar”, se os professores são motivados/capacitados às suas funções, existe na escola algo que a transforma num exemplo a ser entendido: ela possui a preocupação processual na formação do aluno.
Nenhum aluno de primeira série será exposto ao conteúdo “análise semântica” na disciplina de português, como, da mesma forma, que a soma, subtração, divisão e multiplicação serão as bases aprendidas nos primeiros anos do ensino fundamental, tornando possível que Logs, raízes e matrizes sejam calculadas no ensino médio.
Já imaginaram se, tendo em vista que na disciplina de matemática um aluno tenha que estar dominando assuntos complexos como trigonometria e seus ângulos e radianos, senos e cosenos lá no fim do seu processo de formação, o professor do ensino básico já iniciasse aulas de matemática com esses assuntos? Qual seria o resultado da avaliação dos alunos? Qual seria o desenvolvimento desses alunos dentro de 3 ou 4 anos dentro dessa perspectiva formativa? Será que se tornariam capazes de entender como funcionam esses conceitos supracitados?
Claro que a reposta é lógica. A resposta é não e não há professor que seja capaz de ensinar senos e cosenos a alunos de pré-primário.
Isso ocorre devido ao desenvolvimento da inteligência do aluno, que ainda está estruturando a construção dos conceitos lógicos tornando a complexidade desse conteúdo ainda fora de sua zona de desenvolvimento proximal.
Gosto de usar esse tipo de exemplo, pois ele faz as nossas “mascaras caírem” ao falarmos do processo de formação de atletas (no nosso caso, de futsal), pois fica muito claro o problema que vemos no dia-a-dia, em treinamentos formatados para “mini-atletas” e não crianças, pois essa visão nada mais é do que a analogia de um professor que pretende ensinar química orgânica para uma criança recém chegada ao primeiro ano do ensino fundamental.
Se existe num ambiente educacional por excelência (a escola) a preocupação processual, não devemos ter as mesmas preocupações em nosso dia-a-dia nas quadras? Ensinar nosso alunos/atletas conteúdos de maneira a possibilitar a construção o mais completa possível do Futsal dentro das possibilidades alcançadas por cada aluno/atleta?
Geralmente, (e disso não tenho dúvidas) o professor/treinador tem em seus princípios essa preocupação, mas o perfil competitivo no qual está inserido faz com que conteúdos que sejam tipicamente bem dominados em categorias mais velhas sejam precocemente aplicados em categorias muito novas.
Afinal, a competição pode ser comparada ao processo avaliativo, e se a competição exige que crianças joguem como adultos, as aulas pautar-se-ão na visão de treinamentos para adultos, afinal, qual treinador quer ter seus alunos mal avaliados?
O professor, na verdade é um refém que seu auto-impede de modificar isso, pois não consegue perceber que, o que torna o ambiente treino de crianças de 10 e 11 anos tão maçante (com conteúdos inadequados, e abordagem – didática – semelhante àquela de treinadores de alto-rendimento), é o formato competitivo em que esses alunos estarão envolvidos e ao qual ele se rende.
Ou seja, se, regras oficiais são utilizadas em competições de base, elas sistematicamente permitem que o mais habilidoso jogue o jogo todo. Logicamente, ele irá jogar mais que outros menos habilidosos.
Porém, dentro de um processo de ensino bem organizado existem grandes chances desse jogador mais habilidoso, rapidamente ser alcançado pelos menos habilidosos, pois crianças são ávidas por aprendizado, sendo possível observar que em pouco tempo há um nivelamento dos níveis básicos de habilidade de jogadores que inicialmente eram tão distantes nesse quesito.
No entanto, o processo competitivo não está atento a esse fator, valorizando sempre o “mais habilidoso” naquele momento. Logo, sob essa perspectiva, o processo formativo de um terá mais possibilidade de aprendizado do que de outro, isso porque jogar em competições é algo extremante pedagógico e capaz de ensinar. Então jogar mais significa aprender mais.
Agora, se numa categoria pré-mirim, por exemplo, inclui-se uma regra em que o jogo é dividido em 4 tempos de 10 minutos, sendo todos os jogadores devem atuar pelo menos 20 minutos da partida nos três primeiros tempos, garantimos a inserção de todos os inscritos em ambiente competitivo. Logo, o aprendizado na competição está assegurado. Simples não?
Isso possibilitará, ainda, que no dia-a-dia dos treinos, todos tenham chance de aprender, pois todos estarão em quadra, defendendo sua equipe, sem distinção no momento da competição. O professor torna-se um agente que deve ensinar a todos, sem dar preferência a nenhum de seus atletas, pois dificilmente um jogador irá resolver o jogo sozinho nessas condições regulamentares.
Ou seja, o processo avaliativo (a competição) estará regulando o processo pedagógico.
Esse é só um exemplo de adaptação de regras, que levam a novas obrigações de treinadores (em ambiente de treino e de competição) e de envolvimento dos árbitros no processo de formação dos jovens atletas de futsal.
Esse texto vem apenas abrir essa discussão. Irei, nas próximas oportunidades tentar descrever algumas possibilidades de regras adaptadas em ambiente competitivo que possibilitarão aos professores/treinadores ter uma nova visão para a elaboração de suas aulas/treinos e garantir melhorias no processo de formação de atletas de futsal

TREINADOR DE FUTSAL – SÃO PAULO

Publicado: dezembro 20, 2011 em Uncategorized
Já fiz o curso com dois dos Palestrante, eu recomendo !! Vocês vão ver conceitos novos e criados pelos próprios palestrante !! 
Se for para investir na carreira profissional vocês não podem perder esse curso . Incrições aqui

Este não será um artigo longo, tratarei nele apenas uma inquietação que tive agora a pouco, lendo o post do “Profº Kbça”.
Quando falamos de competições de base, voltado para crianças em períodos da iniciação, temos que nos remeter a alguns cuidados, ou melhor, refletir sobre alguns vícios que trazemos conosco.
Um vício comum é pensar em competição apenas pelo viés do resultado de quadra. Ou seja, inscrevo minha equipe para vencer, e pensando nisso, farei o que for possível para conseguir a conquista. Um reflexo deste pensamento é inscrever 14 alunos/atletas, para uma competição, mas utilizar apenas 7 ou 8 desses alunos ao longo de todos os jogos. Isso está de acordo com o caráter formativo?
Outros vícios bastante comuns são:
(1) visando ensinar o Futsal para as crianças, transformar o ambiente de jogo em um momento cercado de valores tradicionais, tais como a famosa preleção “motivacional” pré-jogo,
(2) jogar estruturalmente e funcionalmente de acordo com o que aparenta existir nos modelos de alto rendimento, proporcionando uma dinâmica de jogo estereotipada do jogo do adulto, enfatizando, desde muito cedo especialidades para cada aluno, criando uma estrutura de jogo demasiadamente fixa e padronizada,
(3) além de desenvolver uma dependência muito grande do professor, deixando o desenvolvimento da autonomia para tomar decisões na quadra, através de uma postura de professor “dono da verdade” que manipula seus “bonequinhos” como fazem os militares ao desenvolver táticas de guerra.
Vícios como esses devem ser definitivamente banidos do processo educacional. Não pode existir no ambiente competitivo de base.

 A final, quem é o protagonista deste momento? A equipe vitoriosa, apenas? O melhor professor, que comanda sua equipe de forma a levá-la à vitória? Ou o aluno, que tem que ter o direito de exercer sua função de protagonista, participando da competição?

Para isso, existem princípios que balizam a ação pedagógica de um “esporte para todos”, que podem muito bem ser transferidas para um ambiente competitivo de base, que deve ser extremamente pedagógico.
Para o professor João Batista Freire (@jbfreire), existem 4 princípios que devem balizar a ação educativa quando falamos do esporte, princípios estes balizadores de um projeto que considero pioneiro nas discussões sobre o “esporte educacional”, que é o Instituto Esporte Educação (visite o site), conforme aparece na figura abaixo:
Figura 1. Metodologia Triangular para o Ensino do Esporte Educacional (Fonte:IEE)
Entendendo cada um dos princípios quando falamos de Competições Pedagógicas para a base:
 
Ensinar esporte para todos – é de fundamental importância que competições pedagógicas pensem em seu regulamento, ou que o professor tenha a conduta ética, em proporcionar a participação equitativa de seus alunos. Isso fomenta um aspecto importante: todos participam e todos aprendem através da possibilidade de serem inseridos no jogo. 
Ensinar bem esporte para todos – Não basta ensinar bem apenas aquele que é julgado como um talento nato. Ensinar bem esporte para todos significa possibilitar que todos tenham atenção pedagógica. Todos seus alunos participarão das competições pedagógicas (primeiro princípio), logo, todos devem aprender bem, para se sentirem bem quando jogam e quando competem. 
Ensinar a gostar de esportes – Você consegue imaginar uma criança que joga sendo comandada por um professor como alguém que terá prazer em jogar? Quando jogam, as crianças devem experimentar a liberdade, pois através da liberdade elas passarão a gostar de jogar. Assim, a postura do professor deverá educar para a autonomia e liberdade, mediando os conflitos do jogo e não comandando crianças como se fossem robôs. Você consegue imaginar uma criança que vai para um jogo e não entra na quadra como alguém que gostará de esportes? Novamente os dois primeiros princípios são fundamentais, pois a participação na competição, pautada em um processo de um bom ensino do esporte, proporcionará à criança gostar do esporte que está jogando. 
Ensinar mais do que esporte para todos – Uma competição pedagógica deve ser um ambiente de aprendizado para além do esporte. Existem estratégias interessantes, por exemplo, para que haja maior interação social entre as crianças, como o desenvolvimento de gincanas entre os jogos, em que as equipes se misturam e brincam, ou mesmo propondo atividades cooperativas, em que todos tenham que atingir objetivos comuns, colaborando uns com os outros, mesmo sendo de equipes diferentes. Pode ser estimulada a democracia, desenvolvendo um sistema de votação em que alunos, árbitros, professores e pais possam votar nos destaques das competições, de forma que todos os votos sejam paritários, mostrando às crianças a importância de votarem conscientemente nos nomes que serão os destaques, além de proporcionar a aproximação de crianças de equipes diferentes, no caso de uma criança da equipe A querer votar numa criança da equipe C, tendo que descobrir o nome dela, perguntando diretamente a ela, ou aos colegas da outra equipe. Podem-se estimular valores como de justiça e ética, através de uma postura dos professores diferente daquela tradicional, sem reclamações absurdas com árbitros, sem exposição da criança a situações de desconforto e mesmo, educando as crianças sobre o comportamento delas com os colegas da outra equipe e com a arbitragem. 
Seguindo princípios como esses, uma competição de base pode ser considerada, por excelência, como uma competição pedagógica.
Peço a professores de escolas de ensino fundamental I e II, além de professores de iniciação esportiva (não só de Futsal) que pensem sobre esses princípios e busquem utilizá-los no seu dia a dia de competições. Se não for pela própria regra da competição, que seja pela sua ética enquanto educador.
Abraços,


Quando tratamos do tema “ensino do esporte”, muitas vezes tendemos a cair numa realidade que vem sendo questionada pela evolução dos estudos da Pedagogia do Esporte que é acreditar que talento é algo inato, próprio de cada um, determinado pelas suas características genéticas/hereditárias.

Nós como professores, muitas vezes deixamos de lado nosso potencial de ensinar uma pessoa, tendo única e exclusiva atenção a idéia de buscar talentos e de acordo com nosso interesse iniciar um certo controle de sua vida, indicando para grupos de treinamento avançado, equipes e outras possibilidades.


Isso está associado a uma idéia conhecida com a “metáfora do balde”. Nela, acredita-se que ao nascer, cada um tem consigo um balde vazio, sendo a vida o momento em que esse balde deverá ser preenchido. Aquele que nasce com um balde maior será aquele que irá despontar como um talento, devendo apenas ser encontrado e encaminhando para a finalidade que seu grande balde o conduz.

Ora, nossa função de professores está aonde dentro dessa teoria? Se o tamanho do balde determina o potencial individual, ensinar pra que? Com outro ponto de vista, o aluno que é socialmente concebido como talentoso, graças à genética, terá que estímulo para aprender?

Complementando a idéia dessa metáfora, temos um fator importantíssimo na formação pessoal e também esportiva das pessoas: a necessidade de encher esse balde, afinal, um balde grande realmente nos dará mais condições de preenchê-lo, seja com coisas boas, seja com coisas ruins e isso definitivamente será um fator imprescindível no desenvolvimento da inteligência de jogo de nossos alunos.

Se um aluno com um grande balde possui um grande potencial genético/hereditário, esse potencial pode ser duramente influenciado pela falta de direcionamento no ensino.

Paralelamente, mesmo não tendo um balde tão grande, outro aluno nosso, através do direcionamento pautado em metodologias que desenvolvam sua capacidade de resolver problemas (inteligência) conseguirá agregar um conteúdo capaz de equipará-lo àquele com grande balde e pouco conteúdo de qualidade dentro dele.

Isso significa que ao invés da busca incessante de alunos com grandes baldes, devemos nos preocupar com um preenchimento qualitativo desse balde, pois assim capacitaremos os baldes não tão grandes e potencializaremos toda a capacidade daqueles com baldes maiores. No fim, teremos um leque de alunos com boa capacidade de jogo, inteligência e possibilidade de jogar bem o futsal.

Referências

http://enioferreira-futsal.blogspot.com/2011/11/talento-formar-ou-detectar.html

Formar ou detectar talentos ?

Defesa 2:2 na iniciação do futsal

Publicado: novembro 6, 2011 em Uncategorized

Tendo em vista que muitas pessoas que trabalham com Futsal têm receio em jogar com defesas mais abertas e agressivas, por acreditarem que defesas abertas deixam muitos espaços vazios e por isso, são mais vulneráveis, escrevo este artigo, mostrando que a defesa 2:2 pode ser utilizada com êxito, e que a iniciação é um local no qual uma defesa 2:2 deve ter funcionalidade bem simplificada que transformam sua estrutura aparentemente aberta em algo bastante compacto.

Vocês podem observar que destaquei as palavras regras de ação e estrutura, e isso é proposital, pois todo esquema defensivo é um subsistema de um sistema maior: o jogo. Dessa forma, por ser sistema ele possui três características imprescindíveis: possui uma estrutura, possui uma funcionalidade e elementosque o constituem, estes, com base nas referências estruturais e funcionais do sistema, possuem autonomia para tomar decisões que influenciam em todos os outros elementos componentes do sistema defensivo.
estrutura de um esquema defensivo é exatamente aquilo o que todos nós costumamos ver objetivamente. É o desenho do jogo, a foto, a imagem paralisada de uma proposta defensiva.
Abaixo, uma foto e uma imagem (estrutura) de um sistema defensivo 2:2 que é formado por duas linhas defensivas, cada uma com 2 jogadores que jogam juntos em suas respectivas linhas. Chamaremos a linha mais próxima do goleiro de segunda linha defensiva e a linha mais afastada do goleiro de primeira linha defensiva.
Defesa 2:2 e suas linhas defensivas
Muitas vezes, ficamos exclusivamente focados no olhar estrutural do esquema defensivo adotado e esquecemos-nos de observar que essa estrutura deve funcionar através de regrinhas que orientem os jogadores a fazê-lo se organizar de forma coesa, sem perder de vista a sua estrutura.
Gosto do 2 :2 desde a iniciação e, em idades menores ou mesmo em equipes com pouco tempo de trabalho, costumo utilizar um esquema 2:2 com regras funcionais básicas que facilitem as tomadas de decisão dos defensores. Claro, que como todas as defesas, haverá problemas e fraquezas, mas vou comentar um pouco sobre a funcionalidade da defesa 2:2 que costumo utilizar, para observamos que seu objetivo é, ao contrário do que ela aparenta, tornar-se sempre fechada, capaz de proteger bem o alvo e distanciar a bola da baliza.
Vale ressaltar que esta é apenas uma das inúmeras possibilidades de se desenvolver funcionalmente uma defesa 2:2. Existem outras variantes, porém, pensando na iniciação, acredito que este formato que será apresentado pode ser bastante útil.
Quando seguir seu adversário?
Geralmente, as maiores dúvidas em idades iniciantes se dão no momento de decidir se seguir ou não seu atacante direto, tendo em vista que ainda nesta fase do processo de aprendizagem, há uma relação muito presente entre o defensor e seu atacante direto, como em um esquema defensivo individual.
Quando seguir seu adversário direto:
Jogando na segunda linha defensiva:
Sempre que seu atacante direto se movimentar com ou sem bola no sentido da largura da quadra é importante segui-lo, pois realizar trocas de marcação pode ser demorado e duvidoso. A relação de individualidade defensiva ainda é bastante útil na iniciação, além de ser uma forma de que o aluno descentre sua atenção exclusivamente da bola. Relembro que, esta é uma possibilidade de que a defesa funcione. Existem outras possibilidades que podem ser bastante úteis também.
Jogando na primeira linha defensiva:
Sempre que seu atacante direto se movimentar com ou sem bola no sentido da profundidade da quadra, realizando deslocamentos para jogar como pivôs passando pela sua frente. Ao passar pela sua frente no sentido da segunda linha defensiva é muito importante seguir seu marcador direto, pois ele ocupará as costas de seu companheiro mais próximo, causando erro defensivo.
É importante destacar que o jogador da primeira linha que sobra, deve manter-se a frente de seu atacante direto, equilibrando a defesa o tempo todo.
Quando seguir seu adversário indireto:
Jogando na Primeira linha defensiva: sempre que seu atacante indireto se movimentar com ou sem bola no sentido da profundidade da quadra, realizando deslocamentos para jogar como pivô passando pela sua frente. Ao passar pela sua frente no sentido da primeira linha defensiva é muito importante seguir seu marcador indireto realizando troca defensiva com seu companheiro de equipe mais próximo, pois ele ocupará as costas de seu companheiro, causando erro defensivo.
É importante destacar que os dois jogadores da primeira linha que sobram, devem manter-se a frente de seus atacantes diretos, equilibrando a defesa o tempo todo (ver setinha vermelha).
Quando não seguir seu adversário direto:
Jogando na primeira linha defensiva: sempre que seu atacante direto se movimentar com ou sem bola no sentido da largura da quadra, realizando deslocamentos mais lateralizados trocando de posição com seu companheiro. Esse tipo de movimentação geralmente provoca erros, pois o defensor segue seu adversário direto que realiza um cruzamento simples com seu companheiro atacante, fazendo-o sobrar com um grande espaço de jogo frente ao gol estando com a bola ou em condições de receber a bola. Dessa forma, é melhor não segui-lo, trocando de atacante direto com seu companheiro da defesa, característica básica da defesa em zona (trata-se do início a este estímulo).

Posso deixar a bola às minhas costas?
A linha da bola é outra referência funcional muito importante. Uma regrinha que os jogadores da primeira linha defensiva deve adotar é sempre manter a bola à sua frente quando ela estiver de posse dos adversários. Logo, se o ataque quebra a 1ª linha da defesa, todos os jogadores da primeira linha defensiva devem retornar, deixando a bola à frente de uma linha imaginária, protegendo novamente o seu alvo. Essa é a forma possível de se realizar cobertura defensiva numa defesa 2:2.
Conclusão:
São algumas regrinhas que transformam a estrutura de uma defesa 2:2 em uma defesa que possa ser mais fechada do que aparenta.
Cada uma destas regras deve ser ensinada por meio de atividades que permitam aos alunos compreenderem como estas regras devem ser realizadas, através da presença de jogos que estimulem a ocorrência de ações ofensivas que gerem as dúvidas defensivas à cima destacadas.
Lembrete: esta é apenas uma verdade. Existem outras. Todas elas possíveis de serem operacionalizadas. Fica minha dica a quem interessar.
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O Jogo de Defesa II


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Curso TREINADOR de FUTSAL

Publicado: novembro 4, 2011 em Uncategorized

Um dos fatos muito recorrentes da iniciação dos Jogos Desportivos de oposição, luta direta pela bola e invasão de quadra (Bayer, 1994), como é o caso do Futsal, é a existência de uma estrutura jogada da modalidade, na qual prevalecem a centração da atenção na bola, pouco estímulo ao uso da visão periférica, pouca coletividade e presença de comunicação na ação baseada na utilização de estímulos vocais: “Eu, eu!!”, “Aqui, eu to ‘livre‘”, “Passa pra mim!”. Garganta (1995) descreve essa fase do jogo como a fase anárquica, ou seja, uma fase em que o jogo ainda não obedece à regras/conceitos de caráter coletivo, prevalecendo a utilização de recursos individuais, a busca incessante pela bola por todos os participantes e por sua vez um preenchimento pouco racional do espaço de jogo, como mostra o vídeo 1.

Video1. Exemplo de jogo com característica anárquica


Garganta (1995) destaca que para uma análise da evolução dos níveis do jogo de nossos alunos/atletas devemos nos atentar para os seguintes pontos:
(1) a Comunicação na Ação;
(2) a Estruturação do Espaço; e
(3) a Relação com a Bola.

Sendo que, quanto mais o jogo evolui, esses aspectos tornam-se mais próximos daquele Futsal que assistimos.
Ou seja, a comunicação se torna cada vez mais baseada nas relações entre as respostas corporais de nossos colegas de jogo e adversários com menor apelo ao estímulos auditivos.
No caso da estruturação do espaço, verifica-se maior distribuição longitudinal do jogo – amplitude de jogo – e consciência da importância do jogo lateralizado, utilizando o jogo em profundidade quando em ideal situação de busca da finalização a gol.
A relação com a bola caminha no mesmo sentido, havendo maior descentração da posse da bola, valorizando a liberação da bola para outros companheiros (realização de passes) uma vez que passando a bola, ela se torna mais rápida e torna o jogo mais dinâmico.
A evolução descrita a cima, torna possível a verificação de 4 diferentes fases do desenvolvimento do jogo, ainda de acordo com Garganta (1995), que são:
(1) Fase Anárquica;
(2) Fase de Descentração – em relação à bola, havendo melhor preenchimento do espaço de jogo;
(3) Fase de Estruturação – maior presença de funções táticas do jogo;
(4) Fase de Elaboração – presença de estratégias claras e atuação em função dessa atuação;

Mesmo sem maiores descrições e análises de cada uma dessas etapas, podemos perceber que um jogo como aquele mostrado no vídeo 1 necessitará evoluir, para que nossos alunos sejam capazes de jogar com mais qualidade o futsal.
Esse processo, no entanto, não deve assumir um caráter mecanicista, negando o paradoxo da abordagem tática do jogo sob a o prisma do tecnicismo, uma vez que é impossível que inteligência de jogo e compreensão tático-estratégica seja adquirida de forma mecânica e cartesiana.
Imaginem que grande contradição: para ensinar meu aluno a preencher melhor os espaços do jogo, colocar “x” nos chão, ou especializá-lo a jogar numa das posições “oficiais” do futsal, não permitindo que ele experimente as possibilidades do jogo.
Essa atitude seria análoga ao ensino do passe no futsal pautado numa estratégia de ensino tecnicista, desfragmentando o passe do jogo, descontextualizando-o do todo do jogo. Para ensinar as questões relativas à compreensão estratégica do jogo, nossos alunos devem ser expostos a situações condicionadas do jogo em que eles sejam levados a vivenciar diferentes possibilidades de jogar o jogo, fazendo-os compreender novas possibilidades de jogar o jogo, por própria conclusão, por estímulo do professor, por ajuda dos colegas.
Abaixo, podemos ver uma forma de ensinar a importância da distribuição racional do espaço do jogo, através de um jogo de bola com as mãos, com regras que estimulem a importância de buscar espaços vazios da quadra.



Vídeo 2. Jogo dos Espaços Vazios

Ao final de atividades dessa natureza, devem ser realizadas reflexões em conjunto com os alunos, através da compreensão das formas de atuação do grupo quando ele estava livre, qual o melhor jeito de receber a bola etc…
Essas conversas devem sempre ser um caminho de “ida e volta de informações”, permitindo que dentro das possibilidades do grupo seja possível a utilização cada vez maior de um melhor preenchimento de espaço, estimulando a verificação de que buscar espaços livres facilita a manutenção da bola e também a realização de passes.
No caso de especialização ou de um grupo mais avançado nesse conceito de jogo – o preenchimento do espaço do jogo, a comunicação e também o grau de centração na bola – pode-se estimular a utilização de estruturas defensivas zonais, mostrando a importância que a defesa zona possui para maior organização defensiva, na qual uma equipe hipotética dificulta a progressão da bola em direção ao seu alvo.